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Regina Japiá, psicóloga da Maternidade Escola Santa Mônica, faz alerta para o dia 6 de maio
e a importância da rede de apoio identificar quando é a hora de buscar ajuda especializada
Ascom/MESM
Neste dia 6 de maio é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental Materna, uma data que na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), ganha um significado diferenciado. Referência no atendimento de alta complexidade em Alagoas, a instituição aproveita a ocasião para reforçar que o bem-estar emocional das mães é tão prioritário quanto à saúde física.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental materna como o estado de bem-estar emocional, psicológico e social da mulher durante a gestação, no pós-parto e nos primeiros anos de vida do bebê. De acordo com a OMS, em média, uma em cada cinco mulheres, no mundo, terá um episódio de doença mental durante a gravidez ou no ano após o nascimento do bebê. A instituição prevê ainda que 20% das mulheres que sofrem algum transtorno mental nesse período terão pensamentos suicidas ou cometerão atos de automutilação.
Pesquisas realizadas pelo World Maternal Health Day, informam que 70% das mulheres escondem ou minimizam seus sintomas e que uma em cada cinco sofre de Transtorno de Humor e Ansiedade Perinatal. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que dentre os transtornos mentais que acometem as gestantes e as novas mães estão a depressão, a ansiedade, o transtorno de estresse pós-traumático, a psicose pós-parto, o transtorno de pânico e diversas fobias. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) alerta que a depressão pós-parto atinge cerca de uma em cada quatro mulheres, podendo surgir nas primeiras semanas após o nascimento do bebê ou até meses depois.
Na Maternidade Escola Santa Mônica, a equipe multiprofissional que conta com psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, dentre outras especialidades, disponíveis 24 horas para o cuidado com as pacientes, oferece suporte contínuo, ao longo de todo o ano, e realiza ações de maneira cíclica, promovendo sempre atividades em prol da saúde mental materna. De acordo com Regina Japiá, psicóloga da unidade, essas iniciativas incluem o atendimento individualizado, o acolhimento aos familiares e a realização de rodas de conversa.
Para a psicóloga, a data é um momento estratégico para humanizar o olhar sobre a mulher que acaba de dar à luz, e um convite a refletir que o nascer de uma mãe exige um olhar cuidadoso sobre suas emoções. Japiá esclarece que, na Santa Mônica, o trabalho busca orientar a mulher para que ela consiga ressignificar suas angústias e vivenciar a maternidade com mais leveza e menos culpa, por isso “é fundamental que a rede de apoio e a sociedade em geral compreendam que a saúde mental não pode ser negligenciada em nome de uma idealização da maternidade. Assim, a importância da data reside na validação dos sentimentos, já que, muitas vezes, a sociedade foca apenas no bebê, esquecendo que por trás dele existe uma mulher que também precisa ser cuidada, ouvida e respeitada em suas vulnerabilidades”, disse Regina e complementou “a busca pelo serviço de psicologia é essencial, tendo em vista que pode garantir que o cuidado com a vida seja integral”.
Importância do acolhimento
Rebeca de Souza Nicastro, 30 anos, mãe dos gêmeos Heitor e Henrique, nascidos com 31 semanas de gestação, relata que a experiência na UTI Neonatal foi desafiadora e exigiu força emocional. Segundo ela, foi preciso aprender a lidar com a situação “um dia de cada vez, uma vitória por vez”, destacando que o apoio da equipe de saúde foi fundamental para enfrentar o período com mais tranquilidade. A mãe também ressalta ainda a importância do acolhimento durante a internação dos filhos, e diz que não se sentiu desamparada, pois a forma como os profissionais explicavam cada passo do tratamento contribuiu para reduzir a ansiedade e o medo. Para ela, ser ouvida e compreendida fez toda a diferença em um momento tão delicado.
A psicóloga da MESM lembra ainda que o dia 6 de maio serve também como um alerta para que a rede de apoio saiba identificar quando é a hora de buscar ajuda especializada, já que mudanças emocionais são comuns no pós-parto, e reações como choro fácil, sensibilidade, oscilações de humor, cansaço físico e mental, dificuldade para dormir e insegurança diante da nova rotina fazem parte da adaptação à nova realidade.
“No entanto é preciso atenção redobrada para diferenciar essas reações normais de quadros mais sérios. Sinais como sensação constante de tristeza ou vazio, falta de interesse pelo bebê ou por atividades do dia a dia, crises de ansiedade frequentes, pensamentos de incapacidade ou culpa excessiva, além de isolamento e recusa ao contato social, são alertas claros, podendo indicar ansiedade ou depressão pós-parto, devendo ser acompanhados de perto pela rede de apoio para que a mulher seja prontamente encaminhada a um médico especializado e recupere sua qualidade de vida”, concluiu Regina.
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